A osteotomia da tuberosidade tibial é uma cirurgia realizada em casos específicos de problemas no alinhamento da rótula.
Ela pode ser indicada quando a posição desse osso favorece deslocamentos ou provoca sobrecarga em determinadas áreas do joelho.
Essa correção não é necessária em todos os casos de dor ou instabilidade.
Antes de recomendar a operação, é preciso investigar se a posição do osso realmente está contribuindo para o problema.
O que é a tuberosidade tibial
Ao esticar a perna, os músculos da coxa trabalham em conjunto com a rótula e o tendão patelar para produzir esse movimento.
Esse tendão vai da rótula até a tíbia, onde se fixa a uma pequena área do osso chamada tuberosidade tibial.
Essa região fica na frente da perna, um pouco abaixo do joelho. Sua localização é importante porque determina parte da direção em que o tendão puxa a rótula.
Quando esse ponto de fixação está muito deslocado, a força sobre a rótula pode ficar mal distribuída, favorecendo problemas de alinhamento e instabilidade.
Se estiver muito deslocada para o lado externo, o tendão também exerce uma força maior nessa direção.
Dependendo das outras características do joelho, essa alteração favorece episódios de instabilidade.
Como essa alteração afeta o joelho?
Ao dobrar e esticar a perna, a patela percorre um canal existente na extremidade do osso da coxa.
Quando a direção da força exercida pelo tendão não acompanha adequadamente esse caminho, a patela pode se deslocar mais para o lado externo.
Algumas pessoas percebem uma sensação de insegurança ao movimentar o joelho. Outras apresentam dor ou episódios em que a patela sai completamente do lugar.
Nem sempre a posição da tuberosidade é a única responsável pelo problema. O formato dos ossos e a condição dos ligamentos também interferem na estabilidade.
O que a osteotomia da tuberosidade tibial corrige?
A cirurgia procura melhorar o alinhamento da patela mudando o ponto onde o tendão patelar se prende à tíbia.
Para realizar essa correção, o cirurgião desloca uma pequena parte do osso e a fixa na posição planejada.
O movimento realizado depende da alteração encontrada.
Em alguns pacientes, o fragmento precisa ser levado para dentro. Em outros, também é necessário movimentá-lo para frente.
O que significa medialização da tuberosidade?
Medialização é o termo utilizado quando uma estrutura é deslocada em direção à parte interna do corpo.
No joelho, essa correção diminui a força que puxa a patela para o lado externo.
A técnica é considerada quando os exames mostram que a tuberosidade está muito lateralizada e essa posição contribui para a instabilidade.
O que é a cirurgia de Fulkerson?
Na cirurgia de Fulkerson, a parte do osso onde o tendão patelar está preso é movimentada para dentro e um pouco para frente.
Com a mudança, a patela passa a receber a força do tendão em outra direção. Também ocorre uma redistribuição da pressão em determinadas regiões da articulação.
Essa técnica é considerada principalmente quando o desalinhamento vem acompanhado de sobrecarga em uma área da cartilagem.
A cartilagem é o revestimento que protege as superfícies dos ossos dentro do joelho.
A escolha pela técnica de Fulkerson depende de onde está o problema, e nem todo paciente precisa desse deslocamento em duas direções.
Quem tem indicação: instabilidade e dor femoropatelar
A instabilidade patelar acontece quando a patela não consegue permanecer adequadamente posicionada durante determinados movimentos.
Em algumas situações, ela chega a sair completamente do lugar. Em outras, o paciente sente que o joelho vai falhar, principalmente ao mudar de direção.
Também existem pessoas que apresentam dor na parte da frente do joelho, na região onde a patela entra em contato com o osso da coxa. Essa queixa recebe o nome de dor femoropatelar.
A indicação cirúrgica depende da causa dos sintomas.
Quando a cirurgia entra no tratamento?
O ortopedista considera a correção óssea principalmente quando encontra:
- Tuberosidade tibial muito deslocada para o lado externo;
- Instabilidade associada a alterações importantes no alinhamento;
- Patela que não acompanha adequadamente seu caminho durante os movimentos;
- Sobrecarga localizada da cartilagem relacionada à posição da tuberosidade;
- Alterações anatômicas que justificam mudar a posição do osso.
A presença de dor, isoladamente, não justifica a cirurgia.
Muitos pacientes melhoram com fisioterapia e fortalecimento muscular, sem necessidade de procedimento cirúrgico.
Quem apresenta episódios repetidos de deslocamento deve procurar uma avaliação específica.
O tratamento de instabilidade patelofemoral em Goiânia depende da identificação das alterações que estão comprometendo o funcionamento do joelho.
É necessário operar o ligamento também?
Em determinados casos, sim.
Na parte interna do joelho existe o ligamento patelofemoral medial, conhecido pela sigla MPFL. Sua função é ajudar a impedir que a patela escape para o lado externo.
Quando esse ligamento sofre uma lesão, o joelho perde parte da estabilidade.
A cirurgia do MPFL utiliza um enxerto, geralmente retirado de um tendão, para reconstruir essa estrutura.
Já a osteotomia muda a posição da parte óssea onde o tendão patelar está preso.
Quando existem alterações importantes tanto no ligamento quanto no alinhamento, o cirurgião pode recomendar os dois procedimentos na mesma operação.
Pacientes com episódios repetidos de deslocamento da patela precisam ser avaliados individualmente, pois o número de episódios não é suficiente para definir qual cirurgia será realizada.
Como a cirurgia é feita
Antes da operação, os exames ajudam o cirurgião a calcular quanto o osso precisa ser movimentado.
O procedimento é realizado no hospital, com anestesia escolhida de acordo com as condições do paciente e o planejamento da equipe.
Como o osso é reposicionado?
A operação segue algumas etapas:
- O cirurgião realiza uma abertura na parte da frente da perna, próxima ao joelho.
- Faz um corte controlado na região da tuberosidade tibial.
- Movimenta o fragmento ósseo para a posição definida no planejamento.
- Fixa essa parte do osso novamente, geralmente utilizando parafusos.
- Verifica a posição da correção antes de finalizar o procedimento.
O tendão patelar permanece ligado ao fragmento movimentado.
Depois da cirurgia, o osso precisa cicatrizar na nova posição. Durante esse período, o paciente segue orientações sobre caminhada, apoio da perna e fisioterapia.
Quando existe necessidade de corrigir também a estabilidade ligamentar, a cirurgia de reconstrução do ligamento patelofemoral medial é associada ao procedimento.
O que é a medida TA-GT
A medida TA-GT ajuda o ortopedista a avaliar o alinhamento da patela.
Ela representa a distância entre o ponto onde o tendão patelar se prende à tíbia e o centro do canal por onde a patela desliza no osso da coxa.
Essa distância é analisada em exames de imagem, como a tomografia ou a ressonância magnética.
Quando está aumentada, indica que a tuberosidade tibial se encontra mais deslocada para o lado externo em comparação com esse canal.
Qual medida indica necessidade de cirurgia?
Valores próximos de 15 a 20 milímetros já merecem atenção, dependendo do exame e das demais alterações encontradas.
Uma TA-GT de 20 milímetros ou mais é considerada elevada, mas não significa que a cirurgia seja obrigatória.
O especialista precisa observar outros aspectos, entre eles:
- Altura da patela;
- Formato do canal onde ela desliza;
- Alinhamento da perna;
- Condição da cartilagem;
- Estabilidade dos ligamentos;
- Histórico de deslocamentos.
Uma pessoa que apresentou vários episódios de instabilidade pode não precisar de correção óssea.
Já outra, com menos episódios, pode apresentar um desalinhamento importante que justifique o procedimento.
O planejamento depende do conjunto dessas informações, não apenas de um número encontrado no exame.
Recuperação, fase a fase
A recuperação da osteotomia da tuberosidade tibial exige alguns cuidados porque o osso precisa cicatrizar depois de ser movimentado.
O tempo varia conforme a técnica utilizada, a fixação e a realização de outros procedimentos na mesma cirurgia.
Primeiras seis semanas
O paciente geralmente utiliza muletas para evitar colocar peso excessivo sobre a perna operada.
Uma joelheira articulada também pode ser indicada, dependendo do procedimento.
Nessa fase, o tratamento se concentra em controlar o inchaço, recuperar gradualmente os movimentos e proteger a área operada.
A fisioterapia começa conforme a orientação da equipe.
Entre seis e doze semanas
Com a evolução da cicatrização, o apoio da perna geralmente aumenta.
Radiografias ajudam o cirurgião a acompanhar a consolidação do osso.
Os exercícios passam a trabalhar mais a caminhada e a recuperação da força muscular, respeitando o limite de cada paciente.
Do terceiro ao sexto mês
O fortalecimento ganha mais espaço na reabilitação.
Exercícios de equilíbrio e controle muscular ajudam o paciente a recuperar confiança para atividades comuns, como caminhar por distâncias maiores e subir escadas.
O aumento da dificuldade depende da evolução do joelho.
Depois do sexto mês
O retorno ao esporte passa a ser avaliado de acordo com a cicatrização óssea, a força e a estabilidade recuperadas.
Atividades que envolvem corrida, salto ou mudanças rápidas de direção exigem maior preparo.
Alguns pacientes precisam de mais tempo, principalmente quando outros procedimentos foram realizados na mesma cirurgia.
Riscos e resultados esperados
A cirurgia busca melhorar a estabilidade da patela e diminuir os sintomas associados ao desalinhamento.
Quando a indicação é adequada, muitos pacientes apresentam redução dos episódios de deslocamento e melhora da função do joelho.
A recuperação, porém, exige acompanhamento e participação na fisioterapia.
Quais complicações podem acontecer?
Os possíveis problemas são:
- Infecção na região operada;
- Dor provocada pelos parafusos;
- Dificuldade para recuperar os movimentos;
- Demora na cicatrização do osso;
- Persistência da dor ou da instabilidade;
- Fratura na região da correção;
- Necessidade de outro procedimento.
Uma dúvida frequente envolve os parafusos utilizados para fixar o osso. Eles geralmente permanecem no local depois da cicatrização.
Quando provocam desconforto, principalmente ao ajoelhar, o ortopedista avalia se existe necessidade de retirá-los.
O que esperar depois da recuperação?
O resultado depende da causa da instabilidade, das alterações presentes no joelho e da resposta ao tratamento.
O alívio da dor nem sempre é completo, e voltar às atividades exige tempo e acompanhamento durante a recuperação.
Na osteotomia da tuberosidade tibial, a identificação precisa da alteração que afeta o posicionamento da rótula é fundamental.
A partir dessa avaliação, o cirurgião define como o osso deverá ser reposicionado para corrigir o problema.
Perguntas frequentes
Quanto tempo de recuperação da osteotomia da tuberosidade tibial?
A recuperação leva vários meses. Nas primeiras semanas, é necessário proteger o osso operado. A volta às atividades mais exigentes depende da cicatrização, da força muscular e da estabilidade do joelho.
Precisa tirar os parafusos depois?
Não obrigatoriamente. Os parafusos geralmente ficam no osso depois da recuperação. A retirada é considerada quando provocam dor ou desconforto, após a consolidação óssea.
Dá para voltar ao esporte?
Sim. Muitos pacientes retornam à prática esportiva depois da reabilitação. A liberação depende da cicatrização do osso, da força recuperada e da capacidade de realizar os movimentos com segurança.
Qual a diferença para a cirurgia de MPFL?
A osteotomia muda a posição de uma parte do osso para melhorar o alinhamento da patela. A cirurgia do MPFL reconstrói um ligamento que ajuda a impedir seu deslocamento. Em alguns casos, os dois procedimentos são realizados juntos.



