A condropatia patelar, também conhecida como condromalácia patelar, é uma condição que afeta a cartilagem da patela, o osso localizado na frente do joelho.
Em minha experiência clínica de mais de 15 anos como ortopedista tratando problemas de joelho em Goânia, tenho observado um aumento significativo nos casos desta condição, especialmente em sua forma mais grave.
A condropatia patelar grau 4 aposenta muitos trabalhadores anualmente no Brasil, sendo uma das principais causas de afastamento do trabalho por problemas ortopédicos.
Este estágio avançado da doença compromete seriamente a qualidade de vida e a capacidade laboral dos pacientes, gerando impactos significativos tanto na saúde quanto na situação financeira dos afetados.
O que é a condropatia patelar grau 4?
A condropatia patelar é classificada em quatro graus, sendo o grau 4 o mais grave de todos.
Tenho observado em meus pacientes com condropatia grau 4 uma perda completa da cartilagem da patela, com exposição do osso subcondral (o osso que fica abaixo da cartilagem).
Esta condição pode ser focal, afetando apenas uma pequena área, ou difusa, comprometendo uma grande extensão da superfície articular. Em alguns casos, pode ser monopolar (envolvendo um lado da articulação) ou bipolar (afetando os dois lados).
Sintomas
Os sintomas que meus pacientes frequentemente relatam incluem:
- Dor intensa e constante no joelho, especialmente ao subir e descer escadas.
- Dificuldade para permanecer em pé por longos períodos.
- Sensação de travamento ou falseio do joelho.
- Inchaço recorrente na região.
- Dor incapacitante que compromete severamente a função do joelho.
Em casos avançados, a dor se torna tão severa que impede a realização de atividades diárias simples, tornando-se um fator limitante para a capacidade de trabalho dos pacientes
Como diagnosticar a condropatia patelar grau 4?
Durante minhas consultas, realizo uma avaliação completa que inclui o histórico médico e um exame físico detalhado do joelho. Para confirmar o diagnóstico de condropatia patelar grau 4, geralmente solicito os seguintes exames:
- Ressonância magnética: é o principal exame para avaliar a cartilagem da patela, permitindo visualizar a extensão e profundidade da lesão.
- Radiografias: ajudam a avaliar o alinhamento e formato do joelho.
- Em alguns casos, a artroscopia: procedimento que permite visualizar diretamente a articulação e confirmar o grau de comprometimento da cartilagem.
O diagnóstico preciso é fundamental não apenas para determinar o tratamento mais adequado, mas também para documentar a condição caso seja necessário solicitar benefícios previdenciários.
Tratamentos disponíveis
Costumo iniciar o tratamento com medidas conservadoras, especialmente para aliviar os sintomas e melhorar a função do joelho, que consiste em:
- Fisioterapia para fortalecimento muscular e melhora da estabilidade articular.
- Infiltração com ácido hialurônico para lubrificação da articulação.
- Anti-inflamatórios para controle da dor e inflamação.
- Medicamentos condroprotetores (glicosamina, condroitina, colágeno).
- Orientações para controle de peso e adaptação das atividades diárias.
Quando o tratamento conservador não alcança os resultados esperados, opções cirúrgicas são consideradas, como:
- Técnica de microfraturas: para estimular a formação de uma nova cartilagem.
- Mosaicoplastia: transplante de pequenos cilindros de cartilagem saudável.
- Uso de membrana de colágeno: para induzir a regeneração da cartilagem.
- Em casos mais graves, artroplastia (prótese) total ou parcial do joelho.
É importante ressaltar que cada caso é único e o tratamento deve ser individualizado conforme as necessidades específicas do paciente.
Condropatia patelar grau 4 aposenta: quando se qualificar para benefícios
Vejo com frequência pacientes que se perguntam se a condropatia patelar grau 4 aposenta. A resposta é que sim, esta condição pode justificar a concessão de benefícios previdenciários quando há comprometimento significativo da capacidade laboral.
Existem três principais tipos de benefícios disponíveis no INSS:
- Auxílio-Doença (para incapacidade temporária): indicado para casos em que o paciente precisa se afastar temporariamente do trabalho para tratamento.
- Aposentadoria por Invalidez (para incapacidade permanente): quando a condição é considerada irreversível e impossibilita permanentemente o retorno ao trabalho.
- BPC/LOAS: benefício assistencial para pessoas de baixa renda.
Na minha experiência clínica, os problemas de joelho, incluindo a condropatia patelar, estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil.
Dados mostram que cerca de 70% dos auxílios-doença no Brasil são por doenças ortopédicas.
Trabalhadores que exercem funções que exigem esforço físico, como carregar peso, ficar em pé por longos períodos ou subir e descer escadas constantemente, têm mais chances de se qualificar para benefícios por incapacidade.
Já para profissionais que trabalham sentados, como em escritórios, a condropatia patelar grau 4 pode não causar limitações significativas que justifiquem a aposentadoria.
Conclusão
Na minha carreira como especialista em joelho, tenho observado o impacto significativo que a condropatia patelar grau 4 causa na vida das pessoas.
Esta condição, quando em estágio avançado, pode efetivamente comprometer a capacidade laboral e justificar a concessão de benefícios previdenciários, incluindo a aposentadoria por invalidez em casos graves.
É fundamental que os pacientes busquem avaliação e tratamento especializado o quanto antes, pois o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida.
Além disso, a documentação médica detalhada é essencial para o processo de solicitação de benefícios junto ao INSS.
Lembre-se que cada caso é único e requer uma abordagem individualizada tanto no aspecto clínico quanto na avaliação da capacidade laboral.
Como especialista, recomendo sempre buscar orientação médica qualificada para garantir o tratamento mais adequado para sua condição.
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