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Cirurgia do Joelho

Artrodese do Joelho: O Que É e Quando É Indicada

Artrodese do joelho funde a articulação e elimina a dor, ao custo do movimento. Veja em que situações ela ainda é indicada hoje e como é a vida depois.

Ortopedista de Joelho em Goiânia - Dr. Ulbiramar CorreiaDr. Ulbiramar Correia7 min de leitura
Radiografia dos dois joelhos usada na avaliação de artrose avançada

A artrodese do joelho é uma cirurgia usada em situações bastante específicas, principalmente quando existe uma infecção difícil de controlar ou quando uma prótese apresentou falhas repetidas e não há boas condições para uma nova reconstrução.

Não se trata de uma cirurgia escolhida para tratar o desgaste comum do joelho.

Hoje, ela funciona como uma solução de resgate, considerada quando preservar uma articulação móvel já não oferece uma perspectiva segura ou funcional para aquele paciente.

Quem está avaliando uma cirurgia de prótese de joelho em Goiânia não deve entender a artrodese como uma opção equivalente. São procedimentos com objetivos muito diferentes.

O que é artrodese do joelho

A artrodese é uma cirurgia que une o fêmur, osso da coxa, à tíbia, osso da perna. Com o tempo, esses dois ossos passam a formar uma união sólida.

O joelho deixa de funcionar como uma articulação móvel, permanecendo praticamente em uma posição fixa.

O objetivo não é recuperar o movimento.

A proposta é criar estabilidade em uma região que apresenta um problema grave e que já não consegue ser reconstruída de maneira satisfatória.

Essa fusão do joelho busca oferecer uma perna firme para apoiar o peso durante a marcha, reduzir a dor relacionada à instabilidade e ajudar no controle de situações complexas.

Um ponto precisa ficar muito claro: depois que a fusão óssea acontece, a pessoa não consegue mais dobrar normalmente aquele joelho.

Por esse motivo, a indicação exige uma avaliação cuidadosa do benefício esperado e das limitações que farão parte da vida após a cirurgia.

Por que ela deixou de ser comum

Durante muitos anos, a artrodese teve um papel maior no tratamento de doenças graves do joelho. A evolução das próteses e das técnicas de reconstrução mudou esse cenário.

Com os avanços no tratamento dos problemas do joelho, tornou-se possível preservar o movimento da articulação em muitas situações que antes tinham poucas opções cirúrgicas.

Nos casos de desgaste avançado, a prótese total permite substituir as superfícies comprometidas, aliviar a dor e manter os movimentos de dobrar e esticar a perna.

Quando surgem complicações após a colocação da prótese, nem sempre é necessário abandonar essa forma de tratamento.

Dependendo do problema, uma cirurgia de revisão de prótese de joelho permite corrigir a falha e preservar a mobilidade da articulação.

A artrodese passou a ocupar outro lugar no tratamento: o de procedimento de salvamento.

Ela entra em discussão quando tentativas anteriores falharam, existe uma complicação importante ou as condições locais tornam uma nova prótese pouco segura.

Em que situações ainda é indicada hoje

A indicação mais conhecida atualmente está ligada às complicações graves de uma prótese de joelho.

Infecções profundas representam um dos principais exemplos. Algumas respondem ao tratamento cirúrgico e aos antibióticos, permitindo preservar ou trocar a prótese.

Existem casos muito mais difíceis. A infecção retorna, várias cirurgias já foram realizadas e o osso ou os tecidos ao redor do joelho ficam bastante comprometidos.

Nesse cenário, uma nova prótese talvez não consiga oferecer estabilidade ou controlar o problema.

Entre as situações em que a artrodese entra na avaliação estão:

  • Infecção recorrente após prótese de joelho;
  • Falha de várias cirurgias de revisão;
  • Perda óssea extensa;
  • Comprometimento importante dos músculos e ligamentos;
  • Dificuldade para reconstruir uma articulação estável;
  • Situações em que manter uma prótese representaria risco elevado de nova falha.

Sinais persistentes após uma cirurgia anterior também precisam ser investigados.

Dor progressiva, secreção pela ferida, inchaço ou alterações ao redor do implante têm diversas causas e merecem avaliação.

O artigo sobre sintomas de rejeição de prótese de joelho explica alguns sinais que levam o paciente a procurar o cirurgião.

Nem toda infecção de prótese termina em artrodese.

O tratamento depende do tipo de bactéria, tempo de infecção, condições do implante, quantidade de osso disponível e estado dos tecidos.

A infecção da prótese é mais frequente em fumantes e em pacientes com obesidade, e fumar antes da cirurgia de joelho é um dos fatores que podem ser corrigidos antes de qualquer reconstrução.

Como a cirurgia é feita

A técnica varia conforme o problema encontrado no joelho e as cirurgias que o paciente já realizou.

Quando existe uma prótese infectada, o primeiro passo geralmente envolve retirar os componentes e limpar cuidadosamente os tecidos comprometidos.

O cirurgião precisa preparar as extremidades do fêmur e da tíbia para que os ossos tenham condições de se unir.

Depois, é necessário manter essa região firme durante o processo de consolidação.

A fixação pode ser realizada com diferentes métodos, entre eles:

  • Hastes colocadas dentro do canal dos ossos.
  • Placas e parafusos.
  • Fixadores externos em situações selecionadas.

A escolha depende da quantidade de osso preservado, presença de infecção, qualidade dos tecidos e histórico cirúrgico.

Em alguns pacientes, também existe a necessidade de enxerto ósseo para preencher falhas e favorecer a união.

O joelho é posicionado com uma pequena flexão planejada. A posição precisa buscar um equilíbrio entre ficar em pé, caminhar e realizar atividades do cotidiano.

Antes da fusão, a avaliação é ampla, e os exames pré-operatórios da cirurgia de joelho incluem o controle da infecção e das doenças de base.

Como fica a marcha e a vida depois

É possível andar depois da artrodese, mas a maneira de caminhar muda.

Como o joelho não dobra, o quadril e o tornozelo passam a compensar parte do movimento necessário para levar a perna à frente.

A adaptação varia bastante entre os pacientes.

Caminhar em terreno plano é mais simples do que lidar com:

  • Escadas;
  • Rampas;
  • Terrenos irregulares;
  • Espaços pequenos;
  • Entrada e saída de carros;
  • Cadeiras muito baixas.

Sentar também exige adaptação. A perna permanece mais estendida e precisa de espaço à frente.

A recuperação de artrodese do joelho envolve duas etapas importantes: a cicatrização dos tecidos e a consolidação entre o fêmur e a tíbia.

Durante esse período, o apoio de peso e o uso de muletas seguem a orientação definida para cada caso.

Fisioterapia e treinamento de marcha ajudam o paciente a aprender maneiras mais eficientes de movimentar a perna, subir degraus e realizar tarefas do dia a dia.

No início, o treino com muletas depois da cirurgia de joelho faz parte da rotina, até que o osso consolide e o paciente aprenda a nova marcha.

Artrodese x amputação x nova prótese

Em situações extremas, a discussão não é simplesmente escolher entre artrodese ou prótese.

O cirurgião precisa analisar quais caminhos ainda são viáveis para preservar o membro e controlar o problema.

Uma nova revisão de prótese tenta manter o movimento do joelho. Essa opção exige condições adequadas de osso, pele, músculos e controle da infecção.

A artrodese preserva a perna, mas elimina o movimento da articulação. Ela é discutida quando uma nova reconstrução apresenta pouca chance de funcionar.

A amputação fica reservada a cenários ainda mais graves, como infecções que não conseguem ser controladas, comprometimento vascular ou destruição extensa dos tecidos.

Nenhuma dessas decisões deve ser tomada apenas pela idade ou pelo número de cirurgias anteriores.

O planejamento considera:

  • Capacidade para caminhar;
  • Condição da outra perna;
  • Estado geral de saúde;
  • Qualidade do osso;
  • Controle da infecção;
  • Quantidade de tecido preservado;
  • Expectativas e necessidades do paciente.

Chamar a artrodese de simples alternativa à prótese não representa bem sua indicação atual.

Ela é uma estratégia de resgate quando manter uma articulação móvel deixou de ser uma opção confiável.

Resultados e limitações

Quando a indicação é adequada e ocorre a consolidação óssea, a artrodese oferece um membro estável para apoio.

Para pacientes que conviviam com infecções repetidas, próteses instáveis ou diversas cirurgias sem sucesso, alcançar estabilidade já representa uma mudança importante.

Existe um preço funcional claro: o joelho não volta a dobrar.

Atividades que dependem de flexão profunda ficam limitadas, e movimentos simples, como sentar em uma cadeira baixa ou entrar em determinados carros, exigem novas estratégias.

Também há risco de a fusão óssea não acontecer completamente. Infecção persistente, qualidade óssea ruim, tabagismo e condições gerais do paciente interferem nesse processo.

Outro ponto é a sobrecarga em regiões vizinhas. Quadril, tornozelo e coluna participam mais das compensações durante a caminhada.

Por esse conjunto de fatores, a artrodese do joelho não é uma cirurgia indicada apenas porque existe dor ou porque uma prótese apresentou um problema.

Ela é reservada a casos complexos, nos quais o objetivo deixa de ser recuperar uma articulação próxima do normal e passa a ser conseguir uma perna estável, funcional e livre de um problema que ameaça continuamente o resultado de novas reconstruções.

A imobilidade prolongada aumenta o risco de trombose no pós-operatório do joelho, e a prevenção com medicação e movimento é mantida por mais tempo nesses casos.

Um estudo de 2026 no The Journal of Arthroplasty relata os resultados da artrodese do joelho com sistema intramedular modular após falha da prótese, com até 17 anos de acompanhamento. A American Academy of Orthopaedic Surgeons explica a revisão de prótese total de joelho, alternativa que costuma ser tentada antes.

Perguntas frequentes

Dá para andar depois da artrodese do joelho?

Sim. A pessoa consegue caminhar, mas o joelho permanece rígido. Quadril e tornozelo precisam compensar parte do movimento, e a fisioterapia ajuda na adaptação da marcha.

A artrodese é reversível?

Ela é planejada como uma fusão definitiva. Existem situações excepcionais em que uma reconstrução futura é estudada, mas não se deve realizar a cirurgia contando com a possibilidade de recuperar o movimento depois.

Quando a artrodese é melhor que a prótese?

Ela entra em discussão quando uma nova prótese apresenta poucas chances de funcionar, especialmente diante de infecção recorrente, grande perda óssea ou falhas sucessivas de cirurgias anteriores.

Quanto tempo de recuperação?

O tempo varia conforme a técnica utilizada, condição do osso, presença de infecção e cirurgias anteriores. A consolidação é acompanhada por exames, e a liberação de apoio e atividades avança conforme a evolução de cada paciente.

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