Pular para o conteúdo
Dr. Ulbiramar Correia - Ortopedista Especialista em Joelho
Agendar
Cirurgia do Joelho

Anestesia para Cirurgia de Joelho: Raquidiana ou Geral

Raquidiana ou geral na cirurgia de joelho: entenda como cada anestesia funciona, as vantagens de cada uma e por que a raquidiana costuma ser a preferida.

Ortopedista de Joelho em Goiânia - Dr. Ulbiramar CorreiaDr. Ulbiramar Correia8 min de leitura
Centro cirúrgico com a equipe preparando a sala antes da cirurgia de joelho

A anestesia para cirurgia de joelho gera muitas dúvidas antes da operação, principalmente quando o paciente descobre que a raquidiana está entre as opções mais usadas.

A ideia de receber uma aplicação nas costas ou de ficar sem sentir as pernas por algumas horas traz receios que merecem ser esclarecidos com calma.

Raquidiana e anestesia geral funcionam de maneiras diferentes. Em vários procedimentos, a técnica regional é associada à sedação, permitindo que o paciente permaneça dormindo durante boa parte ou durante toda a operação.

A escolha também não fica nas mãos do paciente ou apenas do cirurgião.

Quem avalia qual técnica oferece melhores condições para aquele procedimento é o anestesista, levando em conta a saúde da pessoa, os medicamentos utilizados e as características da cirurgia.

Quais tipos de anestesia para cirurgia de joelho são usados?

Não existe uma única anestesia usada em todas as operações do joelho.

O anestesista trabalha com algumas possibilidades e escolhe a mais adequada para cada situação, entre elas:

  • Raquidiana;
  • Anestesia geral;
  • Peridural em situações selecionadas;
  • Bloqueios de nervos da perna;
  • Sedação associada à anestesia regional.

O tipo da cirurgia pesa bastante nessa decisão.

Uma artroscopia curta, uma reconstrução ligamentar e uma prótese total de joelho, por exemplo, não têm necessariamente o mesmo planejamento anestésico.

Também entram na avaliação doenças cardíacas ou pulmonares, alterações de coagulação, uso de anticoagulantes, cirurgias anteriores na coluna e outras particularidades de saúde.

Quem está prestes a operar e ainda tem dúvidas deve conversar com a equipe do especialista em joelho antes da internação.

Saber o que está planejado evita que a pessoa chegue ao centro cirúrgico imaginando situações muito diferentes daquelas que realmente acontecem.

Em muitos casos a raquidiana é combinada com o bloqueio do nervo femoral ou do canal dos adutores, que prolonga o alívio da dor.

Como funciona a raquidiana?

Na raquidiana, o anestésico é aplicado na região lombar por meio de uma agulha fina.

O medicamento atua nos nervos responsáveis pela sensibilidade e pelos movimentos da parte inferior do corpo. Pouco depois da aplicação, as pernas ficam dormentes e pesadas.

Durante algumas horas, o paciente não consegue movimentá-las normalmente.

Essa perda temporária de força faz parte do efeito da anestesia. Conforme o medicamento deixa de agir, a sensibilidade e os movimentos retornam gradualmente.

Onde é feita a aplicação?

A punção ocorre na região lombar, em um espaço escolhido pelo anestesista.

Antes da aplicação, o paciente geralmente fica sentado ou deitado de lado e curva um pouco as costas.

Essa posição ajuda a aumentar o espaço entre as estruturas por onde a agulha precisa passar.

A pele recebe limpeza adequada e, em muitos casos, uma pequena anestesia local antes da punção principal.

A raquidiana no joelho não envolve aplicar anestésico dentro da articulação. O efeito ocorre nos nervos que conduzem as sensações da parte inferior do corpo.

Como funciona a anestesia geral?

Na anestesia geral, o paciente permanece em um sono profundo provocado por medicamentos. Ele não sente a cirurgia e não tem consciência do que está acontecendo.

Mesmo com o paciente dormindo, o anestesista continua trabalhando.

Cabe a ele observar como o corpo reage aos medicamentos, acompanhar os sinais vitais e ajustar a anestesia quando necessário.

Outro cuidado importante é com a respiração. Dependendo dos medicamentos utilizados, o paciente pode precisar de ajuda para respirar, com o uso de equipamentos próprios para essa finalidade.

A anestesia geral é segura quando bem indicada e monitorada.

Ela continua tendo espaço na cirurgia de joelho, particularmente quando a raquidiana não é apropriada ou quando existem motivos clínicos e cirúrgicos para optar por outra técnica.

Por que a raquidiana costuma ser preferida?

Em várias cirurgias do joelho, principalmente procedimentos de maior porte, a anestesia regional oferece características interessantes.

Uma delas é permitir um bom controle da dor durante a intervenção sem exigir anestesia geral isoladamente em todos os pacientes.

Também existe a possibilidade de combinar a raquidiana com sedação e com bloqueios periféricos, criando um planejamento voltado tanto para a operação quanto para as primeiras horas do pós-operatório.

Entre os motivos considerados pelo anestesista estão:

  • Qualidade do controle da dor;
  • Menor necessidade de determinados anestésicos gerais;
  • Condições clínicas do paciente;
  • Duração prevista da operação;
  • Planejamento para o período logo após a cirurgia.

Mas não significa que a raquidiana seja automaticamente melhor para qualquer pessoa.

Há pacientes para os quais a anestesia geral faz mais sentido. A análise individual é mais importante do que tentar definir uma técnica como vencedora para todos os casos.

Os exames e a avaliação antes da cirurgia de joelho ajudam a identificar fatores que precisam ser considerados também pelo anestesista.

Um estudo na Regional Anesthesia and Pain Medicine comparou anestesia neuroaxial e geral na prótese bilateral de joelho e encontrou menos complicações com a raquidiana. A American Academy of Orthopaedic Surgeons explica a anestesia na cirurgia de quadril e joelho para pacientes.

O paciente fica acordado?

Não necessariamente.

Essa é uma das dúvidas que mais preocupam quem recebe a indicação de raquidiana.

Fazer uma anestesia regional não significa que a pessoa terá de permanecer olhando, ouvindo ou acompanhando tudo o que ocorre dentro da sala cirúrgica.

A sedação na cirurgia de joelho é usada com frequência junto à raquidiana. O anestesista administra medicamentos pela veia para deixar o paciente relaxado e sonolento.

Dependendo do nível de sedação escolhido, ele dorme durante boa parte ou mesmo durante todo o procedimento.

O anestesista continua ao lado do paciente, acompanhando os sinais vitais e ajustando os medicamentos.

Quem tem uma preocupação intensa com esse momento deve contar isso na avaliação anestésica.

Existe uma diferença entre saber tecnicamente que uma anestesia é segura e sentir tranquilidade para passar pela experiência.

Efeitos que assustam e são esperados

Algumas sensações da raquidiana parecem estranhas para quem nunca passou por esse tipo de anestesia.

A mais evidente é não conseguir mexer as pernas logo depois da cirurgia.

O paciente tenta levantar o pé ou dobrar o joelho e percebe que o corpo não responde como de costume. Esse efeito vai diminuindo à medida que o anestésico perde sua ação.

Também podem aparecer:

  • Sensação de pernas muito pesadas;
  • Formigamento enquanto a sensibilidade retorna;
  • Queda da pressão arterial durante o efeito da anestesia;
  • Dificuldade temporária para urinar;
  • Coceira em alguns esquemas anestésicos;
  • Náusea ou tontura.

A equipe acompanha essas alterações durante a permanência no centro cirúrgico e na recuperação anestésica.

O retorno dos movimentos não acontece de uma vez. Normalmente, força e sensibilidade aparecem aos poucos.

Esse período é justamente um dos motivos pelos quais o paciente não deve tentar levantar sozinho logo após a operação.

Quando o efeito passa, a dor depois da cirurgia de joelho segue uma curva previsível, controlada com medicação programada.

Mitos: dor nas costas e paralisia

Dois receios aparecem repetidamente quando o assunto é raquidiana: ficar com dor nas costas e sofrer algum tipo de paralisia.

Vale separar essas questões.

Raquidiana deixa dor nas costas?

Algumas pessoas sentem sensibilidade ou incômodo no ponto da punção durante um período curto.

É uma situação diferente de desenvolver um problema permanente na coluna por causa da anestesia.

Dor lombar também é frequente na população adulta e surge por inúmeros motivos.

Quando aparece após uma cirurgia, nem sempre existe relação direta com a punção feita para a raquidiana.

Quem apresenta dor intensa, piora progressiva, febre, perda de força ou alteração persistente de sensibilidade precisa comunicar a equipe médica.

Existe risco de paralisia?

Complicações neurológicas graves relacionadas à raquidiana são raras, mas nenhum procedimento médico é tratado como risco zero.

Lesões nervosas, sangramentos próximos às estruturas neurológicas e infecções estão entre as complicações possíveis e pouco frequentes.

É justamente para reduzir esses riscos que o anestesista verifica medicamentos, coagulação, histórico clínico e condições que dificultariam ou impediriam o uso da técnica.

O medo de uma complicação grave não precisa ser tratado como exagero. A melhor saída é discutir o risco real daquele paciente e entender quais cuidados serão adotados.

Quem deseja aprofundar essa preparação também encontra informações no conteúdo sobre medo de cirurgia e anestesia no joelho.

Quem escolhe a anestesia?

A decisão final sobre a técnica anestésica é do anestesista.

O cirurgião participa do planejamento ao informar qual operação será realizada, a posição do paciente, o tempo esperado de procedimento e características importantes da cirurgia.

O paciente também faz parte dessa conversa.

Experiências anteriores com anestesia, alergias, doenças, uso de medicamentos e receios devem ser relatados durante a avaliação.

O anestesista reúne essas informações e analisa qual estratégia oferece uma combinação adequada de segurança, conforto e condições para a cirurgia.

Em alguns casos, existe mais de uma alternativa viável. A equipe explica as opções antes de definir o plano.

Não vale esconder o receio da raquidiana apenas por achar que será visto como exagero.

Falar sobre a preocupação ajuda o anestesista a explicar o procedimento e avaliar também o uso da sedação.

A decisão se baseia nos exames antes da cirurgia de joelho e na avaliação do anestesista.

Na cirurgia bilateral, descrita em operar os dois joelhos ao mesmo tempo, a raquidiana cobre os dois lados em um único procedimento.

Perguntas frequentes

A raquidiana dói?

A aplicação provoca uma picada e uma sensação de pressão que varia entre os pacientes. A pele geralmente recebe anestesia local antes da punção, o que ajuda a reduzir o desconforto.

Dá para dormir durante a cirurgia com raquidiana?

Sim. A raquidiana frequentemente é associada à sedação. Com os medicamentos administrados pela veia, o paciente fica sonolento e passa boa parte ou toda a cirurgia dormindo.

Raquidiana causa dor nas costas depois?

É possível sentir sensibilidade passageira no local da punção. Dor lombar persistente não é considerada uma consequência esperada da raquidiana e merece avaliação quando aparece ou se mantém.

Quanto tempo leva para voltar a sentir as pernas?

O tempo varia conforme o medicamento utilizado, a dose e a resposta de cada organismo. A sensibilidade e os movimentos retornam gradualmente durante as horas seguintes à anestesia.

A anestesia geral ou raquidiana é mais segura?

Não existe uma resposta única para todos os pacientes. O anestesista avalia o tipo de cirurgia, a saúde da pessoa, os medicamentos em uso e outros fatores antes de definir qual técnica é mais adequada.

Continue lendo

Mais sobre cirurgia do joelho

Cirurgião ortopedista explicando ao paciente as opções de enxerto para o LCA
Cirurgia do Joelho·

Qual enxerto para cirurgia de LCA escolher?

Tendão patelar, flexores ou enxerto de banco: entenda as diferenças entre os enxertos usados na cirurgia de LCA e o que pesa na escolha para cada paciente.

10 min de leitura
Instrumentos cirúrgicos dispostos na mesa para artroscopia do joelho
Cirurgia do Joelho·

Técnicas de Sutura de Menisco: All-Inside e Outras

All-inside, inside-out e outside-in: entenda as técnicas de sutura de menisco, quando cada uma delas é escolhida e o que muda na recuperação do paciente.

9 min de leitura