Ao longo de meus anos como ortopedista de joelho em Goiânia, tenho observado um número crescente de pacientes diagnosticados com condropatia patelar grau 1.

A condropatia patelar grau 1 tratamento, embora desafiador, apresenta excelentes resultados quando abordado precocemente e de forma adequada.

O tratamento envolve uma combinação de intervenções conservadoras que permitem que a maioria dos pacientes retorne às suas atividades normais sem a necessidade de procedimentos invasivos.

O que é a condropatia patelar?

A condropatia patelar é uma alteração da cartilagem que reveste a face posterior da patela (popularmente conhecida como “rótula”).

Esta condição causa dor na região frontal do joelho, principalmente durante atividades como subir e descer escadas, agachar, levantar da cadeira ou permanecer sentado por longos períodos. 

Muitos dos meus pacientes também relatam sensação de “barulhos” (crepitações) no joelho ao se movimentar, um sintoma bastante característico desta condição.

É uma condição que afeta mais comumente mulheres e pode ser resultado de diversos fatores, como uso excessivo da articulação, desequilíbrios musculares, traumas anteriores, alterações anatômicas ou predisposição genética. 

O diagnóstico preciso é fundamental para estabelecer o tratamento adequado, algo que sempre enfatizo durante as consultas iniciais.

Condropatia Patelar Grau 1 Tratamento: Abordagem Multidisciplinar

O tratamento da condropatia patelar grau 1 é prioritariamente conservador, cujo objetivo principal é reduzir a dor, restaurar a função e prevenir a progressão da lesão cartilaginosa.

Fisioterapia Direcionada

A fisioterapia constitui o pilar central do tratamento. Recomendo a todos os meus pacientes um programa de reabilitação estruturado que inclui:

  • Fortalecimento muscular do quadríceps, com atenção especial ao vasto medial, que auxilia no alinhamento adequado da patela.
  • Fortalecimento dos glúteos (médio e máximo), fundamentais para estabilidade do quadril e consequentemente do joelho, evitando o valgo dinâmico.
  • Exercícios de propriocepção para melhorar a estabilidade articular.
  • Alongamento dos músculos posteriores da coxa e panturrilhas.

Este fortalecimento global, não focado apenas no joelho, mas em toda a cadeia cinética do membro inferior, proporciona resultados mais duradouros.

Modalidades Analgésicas

Para pacientes com dor mais intensa, o médico pode recomendar:

  • Crioterapia (aplicação de gelo) após atividades físicas.
  • TENS (Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea) para alívio da dor.
  • Ultrassom terapêutico em casos específicos.
  • Terapia manual para descompressão articular.

Medicações Quando Necessárias

Em casos selecionados, o especialista pode prescrever:

  • Analgésicos para controle da dor em fases agudas.
  • Anti-inflamatórios não esteroidais por curtos períodos (sempre com cautela quanto aos efeitos colaterais).
  • Condroprotetores como sulfato de glicosamina e condroitina, embora sua eficácia ainda seja discutida na literatura científica.

Atividades Físicas Recomendadas

Grande parte dos pacientes apresentam excelentes resultados com atividades físicas específicas:

Pilates Terapêutico

O Pilates tem se mostrado extremamente benéfico para pacientes com condropatia patelar grau 1.

Os exercícios promovem alinhamento da patela e melhoram o equilíbrio muscular global. Sempre oriento os pacientes a buscarem profissionais qualificados e informarem sobre sua condição.

Hidroterapia

A hidroterapia é uma opção excelente, especialmente para pacientes com dor significativa.

O ambiente aquático reduz o impacto sobre a articulação, facilitando o fortalecimento muscular e ganho de amplitude de movimento. 

O calor da água também proporciona relaxamento muscular adicional.

Ciclismo e Natação

Estas atividades de baixo impacto mantêm a mobilidade do joelho sem sobrecarregar a articulação patelofemoral.

Perspectivas de Recuperação e Prevenção

Em minha prática clínica, tenho constatado que aproximadamente 85% dos pacientes com condropatia patelar grau 1 apresentam melhora significativa ou completa com tratamento conservador adequado.

A chave para o sucesso terapêutico está na adesão às recomendações e na constância dos exercícios.

Para prevenção de recidivas, veja algumas dicas:

  • Manter o programa de fortalecimento muscular mesmo após resolução dos sintomas.
  • Evitar sobrecarga excessiva na articulação do joelho.
  • Usar calçados adequados para sua anatomia e tipo de pisada.
  • Controlar o peso corporal, reduzindo a pressão sobre a articulação.

Conclusão

A condropatia patelar grau 1, embora cause desconforto significativo, responde bem ao tratamento conservador adequado.

Com base minha experiência clínica, posso afirmar que o diagnóstico precoce e a abordagem multidisciplinar são decisivos para um bom prognóstico.

O tratamento individualizado, considerando as particularidades de cada paciente, seus objetivos funcionais e estilo de vida, constitui a base para resultados satisfatórios e duradouros.

Como sempre digo aos meus pacientes: “O joelho tem memória – cuide bem dele hoje para que ele cuide bem de você amanhã”.

Dr. Ulbiramar Correia

[CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240]. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia).