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Dor no atleta de alta performance: cruzando limites

A Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) promoveu o mês da “Dor no Atleta”. O evento, realizado entre os dias 3 e 7 de setembro, contou com uma série de aulas destinadas a levar aprimoramento científico aos ortopedistas de todo o Brasil, especialmente os especialistas em Joelho e Ombro.

Lesão meniscal do atleta, lesão do LCA no futebol, Joelho degenerativo do atleta jovem, lesão osteocondral do atleta, manejo da dor pós-operatória: artroscopia de joelho, osteoartrose do joelho do atleta veterano e manejo da dor crônica: caso clínico de osteoartrite de joelho foram alguns dos temas discutidos durante o evento.

Dor no atleta de alta performance: no pain, no gain!

Os exercícios físicos são recomendados para pessoas de qualquer faixa etária, pois dão bem-estar, previnem diversas doenças e aumentam a expectativa de vida. No entanto, para quem possui o esporte como profissão, a realidade é outra, haja vista que a dor no atleta de alto rendimento é uma companheira constante, porque esses profissionais trabalham no limite do desgaste físico.

Por isso, a expressão “no pain, no gain” (sem dor, não há ganhos) muitas vezes é seguida à risca pelos atletas de alta performance, porque o cotidiano desses profissionais se ressume à carga excessiva de treinos, o que pode provocar dor aguda e, ainda, lesões musculares, articulares, ósseas e ligamentares.

Quando realizada em excesso, como fazem os atletas profissionais, principalmente antes de uma competição, a prática esportiva faz com que o corpo produza cortisol (hormônio do estresse), o que provoca dor e, inclusive, pode reduzir as barreiras imunológicas do organismo.

Embora a dor possa fazer parte do uniforme de qualquer atleta de alto rendimento, pois estão na busca contínua pela melhoria do desempenho, é crucial que os esportistas tenham autoconhecimento para identificar a linha tênue o limite e o desgaste. Ao fazerem isso, podem evitar quadros de overtraining (treinamento excessivo) e lesões.

Continue lendo este texto e conheça as histórias de duas esportistas goianienses, uma praticante de fisiculturismo a outra atleta de Enduro. Descubra como elas lindam com a dor decorrente da prática esportiva.

Dor, suor, fadiga e a resistência de uma fisiculturista

Fisiculturista Juliana Borges
Fisiculturista Juliana Borges

A fisiculturista Juliana Borges conheceu a dor decorrente da prática de exercícios físicos ainda na infância, quando entrou na academia aos 13 anos. Hoje, aos 24, a atleta goianiense supera a dor e lesões para colecionar vitórias.

Em 2017, ao iniciar sua participação nos campeonatos, foi campeã na categoria Estreantes. No ano seguinte, em 2018, conquistou o 3º lugar no Campeonato Sul-americano. Juliana também é bicampeã brasileira de fisiculturismo na categoria Wellness, acima de 1,68m, e campeã na Welness Júnior.

Dor cotidiana

No dia a dia, a dor muscular é a companheira inseparável de Juliana. “Quem treina pesado sente bastante dor e fadiga muscular durante e após o treino. Às vezes acordo e está tudo dolorido”, comenta a fisiculturista.

Comumente, a atleta sente dor nos locais que treina com mais frequência, como glúteos e posteriores da coxa. Ela relata ainda que as dores articulares também são presentes, especialmente quando um campeonato se aproxima.

Isso acontece porque as atletas passam horas a fio ensaiando sobre um palco. “Antes da competição, ensaiamos o desfile e as poses obrigatórias. Essa rotina gera desconforto nos joelhos e tornozelos”, salienta.

Resistência

Juliana revela ser resistente à dor. No entanto, segundo ela, o fato de suportar dor aguda pode ser prejudicial, porque isso pode camuflar uma lesão. Inclusive, por negligenciar a dor, a atleta estirou os dois quadríceps quando fazia agachamentos.

“Quando isso aconteceu, a dor foi instantânea. Porém, insisti em terminar o treino. Depois disso, eu não conseguia sentar no carro para ir para casa, porque as minhas pernas não dobravam”, recorda.

Após esse estiramento, a esportista sofreu uma lesão mais grave por conta da sobrecarga nos membros inferiores. Dessa vez, uma tendinite (inflamação) no glúteo direito. A dor crônica acompanhou a profissional por cerca de quatro anos.

Depois desses episódios, a dor ensinou uma lição à Juliana. Hoje em dia, ela faz aquecimento e alongamento antes de iniciar um treino – hábito que não tinha antes de sofrer as lesões. Também reconhece a importância de uma equipe multiprofissional por trás de um atleta de alta performance. “Eles fazem a gente dar o máximo de nós”, constata.

Quem pensa que as dores frequentes e lesões são motivos para Juliana desistir da carreira, está enganado. De acordo com a fisiculturista, todo atleta está acostumado com esse tipo de situação. “A meu ver, atleta nasceu para ser atleta. Temos um instinto competitivo e uma gana de vencer e evoluir muito grande. Empecilhos como dores, por exemplo, não nos faz querer parar”, confessa.

Preconceitos

Segundo Juliana, as pessoas possuem uma visão preconceituosa e totalmente deturpada sobre as atletas de fisiculturismo. “Dizem que as meninas têm voz grossa, que são masculinizadas, extremamente musculosas, tanto quanto os rapazes, etc. No entanto, essa é a visão de quem não conhece o esporte”, observa. A atleta esclarece, ainda, que no fisiculturismo os jurados avaliam a estética do corpo, não a valência física.

Um dos critérios de avaliação é a feminilidade e a beleza. “Algumas categorias, como a Bikini Fitness, possuem atletas bem delicadas, quem não as conhece, jamais imagina que são fisiculturistas, pois são meninas magrinhas. O físico, inclusive, lembra o das bailarinas, pois não possuem volume muscular, mas uma boa definição”.

A categoria Wellness, na qual Juliana compete, é inspirada no padrão da mulher brasileira, onde a forma física é similar ao de uma ampulheta, em que os membros superiores são definidos, mas não têm volume. Por outro lado, a cintura é extremamente fina e os membros inferiores, como glúteos e coxas, possuem mais volume pois são mais desenvolvidos.

Frente a tantos comentários errôneos e preconceituosos, a esportista não se abala. “Acho chato o preconceito que existe em torno dos atletas de fisiculturismo, mas sei que vem de pessoas que não conhece a modalidade, pois o fisiculturismo é como qualquer outro esporte. Inclusive, agora passou a ser um esporte olímpico”, comemora.

Rompendo barreiras

Juliana afirma não ser radicalmente feminista, mas desde a adolescência acredita que as mulheres são mais fortes que a maioria dos homens. “Toleramos circunstâncias pelas quais eles não precisam passar. Além disso, acredito que somos capazes de fazer tudo que eles fazem, tão bem quanto, e às vezes até melhor. Isso vai depender do quanto almejamos algo e o que estamos dispostas a fazer por aquilo”, aponta.

Apesar disso, Juliana reconhece que as mulheres são vistas como menos competente nos desportos, principalmente em esportes que são tidos como masculinos, como o futebol. “Acredito que o domínio dos homens sempre existirá em várias áreas. O que podemos fazer é mostrar nossa capacidade e não nos deixar abalar com comentários machistas. Melhor do que falar, é fazer”, assegura.

Deseja ser uma fisiculturista? Confira as dicas!

Se você tem o sonho de ser uma fisiculturista, confira as dicas de quem entende do assunto.

Escolha onde quer competir: atualmente existem inúmeras federações, empresas e afins ligadas ao fisiculturismo. Porém, é preciso fazer uma escolha, pois ao competir em uma, você não compete em outra.

Selecione uma categoria: na modalidade feminina existem as categorias Bikini Fitness, Wellness, Body fitness e Woman Physique. Na hora de optar por uma, leve em consideração o seu biotipo, pois ele é determinante.

Equipe multiprofissional: se pretende seguir carreira no fisiculturismo, é preciso escolher os profissionais que te guiarão durante a jornada, como ortopedista, profissional da Educação Física, nutricionista, fisioterapeutas, dentre outros.

Inspiração

Juliana sempre teve como inspiração as atletas de fisiculturismo e carrega sempre consigo a seguinte frase: “não existe vitória gloriosa se não teve uma boa batalha. Aprendemos com nossos erros. Se a gente cair, levanta mais forte”.

Mesmo em meio a dores, lesões e preconceitos, Juliana pretende continuar a praticar fisiculturismo por um bom tempo. Provando que lugar de mulher é onde ela quiser.

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A garra e determinação de uma piloto de Enduro

Outra atleta que dribla as dores diárias em busca de evolução e vitórias é a piloto de Enduro oficial da Honda Bárbara Neves. A esportista é bicampeã Latino-americana de Enduro, tricampeã internacional de Enduro, bicampeã de Enduro Fim e bicampeã Cross Country.

Bárbara conta que a paixão pelo Enduro surgiu na infância. “Aprendi a pilotar moto, por incentivo do meu pai, aos 13 anos, nas trilhas. Por ser um esporte bastante desafiador e possibilitar o enfrentamento de vários tipos de obstáculos, o Enduro me deixou cada vez mais empolgada para treinar e evoluir”, recorda.

Dores do dia a dia

Para Bárbara, a dor muscular é uma das mais frequentes, pois pilotar uma moto com posicionamento adequado para alta performance e segurança exige bastante força abdominal. “Quando não estou totalmente preparada fisicamente, sinto fortes dores nas costas”, revela. Mas quando a dor surge, a atleta mantém o foco em seu objetivo.

Segundo a piloto, as dores decorrentes da prática esportiva ensinaram algumas lições. “Para conquistarmos nossos objetivos, precisamos trabalhar duro, abrir mão de algumas coisas e, principalmente, apender a lidar com determinadas dores”, diz. Além disso, Bárbara revela que nunca teve uma lesão grave.

Quando indagada se a dor faria com que ela desistisse da profissão, a atleta assevera: “Não! Minha vontade de pilotar uma moto e competir sempre foram mais fortes que qualquer dor”.

Mulheres no Enduro

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Piloto de Enduro Bárbara Neves

O Enduro é um esporte predominantemente masculino. Por conta disso, Bárbara admite que já passou por situações desconfortáveis. “Já ouvi comentários machistas velados de ‘piada’. Frases como esse esporte não é para mulheres é bem comum”, lamenta.

A atleta de Enduro admite que biologicamente a mulher tem uma musculatura diferente do homem. Todavia, quando se trata de motociclismo, ela diz que a técnica é a principal aliada de um piloto. “Não é questão de força, é um conjunto de diversos fatores, onde é preciso levar em consideração calma, raciocínio lógico, condicionamento físico, etc.”

De acordo com Bárbara, para diminuir o preconceito contra as mulheres que praticam Enduro é essencial criar uma categoria feminina nas competições. Além disso, é fundamental que as atletas tenham patrocínio e que a mídia dê voz a esse público. “Acredito que essas medidas sejam uma forma de incentivar e normalizar a participação feminina, tanto nas trilhas como nas competições”, destaca.

Deseja praticar enduro? Então se ligue nas instruções da atleta!

Se você deseja fazer Enduro, é crucial ter uma motocicleta adequada para prática off-road e também utilizar todos os equipamentos de proteção. “Nunca ande acima do limite, pois a velocidade vem com o tempo. Priorizem a segurança sempre!”, aconselha.

Para finalizar, Bárbara deixa uma frase de inspiração do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna: “Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá.”

 

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Dores crônicas ou aguda nos ossos, articulações, ligamentos, tendões, bursas e músculos, por exemplo, podem ser sinais de doenças musculoesqueléticas. Nesse texto, você conhecerá as principais doenças musculoesqueléticas que afetam os joelhos.
A Osteoartrite é caracterizada pelo desgaste ou degeneração da cartilagem do joelho e possui uma série de causas, como envelhecimento; sedentarismo; sobrepeso; doenças metabólicas; sobrecarga nos joelhos devido a esforço físico de atividades diárias ou esportes; fatores hereditários; gênero, as mulheres são as mais afetadas; alterações nos ossos, como joelhos valgo (voltados para dentro) ou varo (voltados para fora); etc.
Lesão após uma queda, movimentos repetitivos e esforço exagerado são alguns fatores que podem provocar instabilidade articular. Os sintomas desse problema incluem dor, irritação, inchaço (edema), dificuldade para estender totalmente o joelho e desconforto. Se não for diagnosticada precocemente, a instabilidade no joelho pode provocar o desgaste da cartilagem e evoluir para artrose.
Considerada uma das lesões mais graves, decorrente de trauma direto ou indireto, a luxação do joelho acontece quando existe desencaixe dos ossos da articulação e a ruptura de pelo menos 2 dos quatro principais ligamentos do Joelho – Ligamento Cruzado Anterior (LCA), Ligamento Colateral Medial (LCM), Ligamento Cruzado Posterior (LCP) e Ligamento Colateral Lateral (LCL). Os ligamentos, faixas fortes de tecido, são responsáveis por dar estabilidade ao joelho.

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