Sentir que o joelho sai do lugar e volta sozinho pode ser assustador e doloroso.

Esse problema, conhecido como instabilidade patelar, ocorre quando a patela (rótula) se desloca e volta para sua posição normal.

Muitos dos meus pacientes relatam esse incômodo, que pode comprometer as atividades diárias e a prática esportiva.

Com base na minha prática clínica como ortopedista de joelho em Goiânia, busco primeiramente identificar a causa para definir a linha de tratamento mais adequada.

Neste artigo, abordarei os principais aspectos relacionados ao joelho que sai do lugar e volta!

Estrutura do joelho e a função da patela

Para entender melhor o que acontece quando o joelho sai do lugar e volta, é importante conhecer sua estrutura.

O joelho é uma articulação formada pelo fêmur (osso da coxa), tíbia (osso da perna) e patela.

A patela desliza dentro de um sulco no fêmur chamado tróclea, permitindo os movimentos de flexão e extensão do joelho. Sua estabilidade depende de ligamentos, músculos e do encaixe adequado nesse sulco.

Quando a patela se desloca, pode ser uma luxação (deslocamento completo) ou subluxação (deslocamento parcial).

Essa instabilidade pode ocorrer devido a diversos fatores e precisa ser avaliada com atenção.

Joelho sai do lugar e volta: possíveis causas

O joelho pode sair do lugar por traumas diretos, como quedas e impactos, ou por fatores anatômicos que favorecem o desalinhamento. Algumas condições aumentam o risco desse problema:

  • Patela alta: Quando a rótula fica posicionada mais para cima do que o normal, dificultando o encaixe.
  • Displasia da tróclea femoral: O sulco onde a patela se encaixa é muito raso ou inexistente, facilitando o deslocamento.
  • Aumento do ângulo Q: Mau alinhamento entre a coxa e a perna, puxando a patela para fora.
  • Joelho valgo (em “X”): Favorece o deslocamento lateral da patela.
  • Hiperfrouxidão ligamentar: Ligamentos mais elásticos, que deixam a patela instável.

Esses fatores podem fazer com que o joelho saia do lugar repetidamente, causando dor e insegurança ao caminhar ou praticar esportes.

Sintomas e diagnóstico

Os pacientes costumam relatar dor intensa no momento do deslocamento, acompanhada de inchaço e dificuldade para movimentar o joelho.

Muitas vezes, há um estalido no momento da luxação. Mesmo que o joelho volte sozinho para o lugar, pode ficar a sensação de instabilidade, como se fosse sair novamente.

Para confirmar o diagnóstico, além do exame clínico, solicito exames de imagem, como ressonância magnética e radiografias.

Eles ajudam a avaliar a integridade dos ligamentos e a presença de possíveis alterações anatômicas que favorecem o deslocamento da patela.

Opções de tratamento

O tratamento da instabilidade pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade do caso e da frequência dos deslocamentos.

Tratamento conservador

Nos casos menos graves, onde o joelho saiu do lugar uma ou duas vezes, optamos pelo tratamento sem cirurgia:

  • Uso de imobilizador: Para manter o joelho estável nos primeiros dias após a lesão.
  • Fisioterapia: Essencial para fortalecer os músculos da coxa, especialmente o vasto medial, que ajuda a manter a patela alinhada.
  • Exercícios de fortalecimento: Foco nos músculos do quadril, coxa e perna, prevenindo novos episódios.

Com essas medidas, muitos pacientes conseguem recuperar a estabilidade do joelho e voltar às suas atividades normais sem a necessidade de cirurgia.

Tratamento cirúrgico

Quando o joelho sai do lugar e volta de forma recorrente e compromete a qualidade de vida, a cirurgia pode ser necessária.

A técnica mais utilizada é a reconstrução do ligamento femoropatelar medial (LFPM), que é o principal estabilizador da patela.

O procedimento consiste em reconstruir esse ligamento usando um enxerto retirado de outro tendão do próprio paciente.

Outras técnicas cirúrgicas incluem:

  • Realinhamento da tuberosidade tibial: Quando é necessário corrigir o trajeto da patela.
  • Liberação lateral: Para relaxar os ligamentos que puxam o joelho para fora.

A escolha da cirurgia depende de uma avaliação detalhada de cada paciente.

Recuperação e prevenção

A reabilitação após a cirurgia é essencial para uma boa recuperação. Nos primeiros dias, pode ser necessário usar muletas e manter o joelho imobilizado.

A fisioterapia é iniciada rapidamente para evitar perda de força e rigidez.

O retorno às atividades esportivas ocorre entre quatro e seis meses, dependendo da evolução do paciente. É fundamental respeitar esse tempo para evitar novas luxações.

Para prevenir novos episódios de instabilidade patelar, recomendo:

  • Fortalecimento muscular: Trabalhar quadríceps, glúteos e panturrilha.
  • Treinamento proprioceptivo: Exercícios que melhoram a coordenação e o equilíbrio.
  • Evitar movimentos bruscos: Principalmente aqueles que envolvem rotação do joelho.
  • Uso de joelheiras: Em casos necessários, para dar suporte extra durante a prática esportiva.

Conclusão

Quando o joelho sai do lugar e volta é uma condição que pode indicar uma instabilidade patelar que precisa de atenção.

Seja por trauma ou por fatores anatômicos, é fundamental buscar uma avaliação ortopédica especializada para determinar a melhor abordagem terapêutica.

A fisioterapia é essencial para muitos casos, mas quando os episódios se tornam frequentes, a cirurgia pode ser a solução definitiva.

Se você sente insegurança ao caminhar ou praticar esportes, estamos à sua disposição para encontrarmos juntos a melhor solução para o seu caso.

Imagens: Créditos Freepik

Dr. Ulbiramar Correia

[CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240]. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia).