A condropatia patelar é um dano anormal da cartilagem articular da patela que pode causar dor, principalmente na região anterior do joelho.

Em minha experiência clínica como especialista em cirurgias minimamente invasivas de joelho em Goiânia, uma das perguntas mais frequentes que recebo dos meus pacientes é se a condropatia patelar grau 1 precisa de cirurgia.

Este questionamento é compreensível, considerando o desconforto e as limitações que esta condição pode trazer ao dia a dia.

Na grande maioria dos casos, o tratamento conservador é suficiente, sendo a cirurgia raramente necessária para este estágio inicial da condição.

O que é condropatia patelar e seus graus

A condropatia patelar refere-se a alterações degenerativas na cartilagem que reveste a parte posterior da patela (rótula).

Para facilitar a compreensão e o tratamento, dividimos esta condição em graus de acordo com a gravidade da lesão.

A classificação de Outerbridge é a mais utilizada na prática clínica e divide a condropatia patelar em quatro graus:

  • Grau I: amolecimento e inchaço da cartilagem, sem fissuras visíveis.
  • Grau II: fissuras superficiais na cartilagem.
  • Grau III: fissuras profundas na cartilagem, que podem chegar até o osso.
  • Grau IV: desgaste completo da cartilagem e exposição do osso.

Em meus anos de prática médica, observo que o grau I é o mais comum e, felizmente, também o mais responsivo ao tratamento conservador.

Sintomas da condropatia patelar grau 1

Os pacientes que atendo com condropatia patelar grau 1 geralmente relatam sintomas como:

  • Sensação de “areia” dentro do joelho.
  • Estalos leves durante os movimentos.
  • Cansaço e dor nas pernas.
  • Desconforto ao subir e descer escadas.
  • Dor após permanecer sentado por longos períodos.
  • Leve inchaço na região do joelho.

É importante notar que muitos pacientes com alterações na cartilagem visualizadas em exames de imagem podem não apresentar sintomas significativos. 

Por isso, sempre avalio cada caso individualmente, considerando tanto os achados clínicos quanto as queixas específicas de cada paciente,

Condropatia patelar grau 1 precisa de cirurgia?

A condropatia patelar grau 1 raramente precisa de cirurgia. Na verdade, o tratamento cirúrgico é exceção e não regra para este estágio inicial da condição.

De acordo com pesquisas, mais de 90% de pacientes com condropatia grau 1 apresentam excelentes resultados com tratamento conservador adequado, sem necessidade de intervenção cirúrgica.

A cirurgia para condropatia patelar é geralmente reservada para casos refratários e lesões grandes que não melhoraram com tratamento prévio.

Quando um paciente chega ao meu consultório com diagnóstico de condropatia patelar grau 1, sempre inicio com uma abordagem conservadora, focada na correção dos fatores dinâmicos e biomecânicos que contribuem para a sobrecarga mecânica e disfunção femoropatelar.

Tratamentos conservadores recomendados

O tratamento conservador para pacientes om condropatia patelar grau 1 geralmente envolve:

  1. Fisioterapia: O fortalecimento da musculatura ao redor do joelho, especialmente o quadríceps, é fundamental. Também há o trabalho de fortalecimento da musculatura glútea e do CORE, além de exercícios para alongamento de cadeia posterior.
  2. Correção biomecânica: A correção de padrões de movimento inadequados por meio da fisioterapia, especialmente o valgo dinâmico (tendência de jogar o joelho para dentro).
  3. Medicamentos: Em casos de dor e inflamação mais intensos, o médico pode recomendar o uso de analgésicos e anti-inflamatórios por um curto período. Em alguns casos, também são prescritos suplementos como glucosamina e condroitina, que podem ajudar a proteger a cartilagem.
  4. Controle de peso: Para pacientes acima do peso ideal, o controle ponderal é parte essencial do tratamento, pois reduz a sobrecarga no joelho.
  5. Adequação de atividades: Oriento meus pacientes a ajustar temporariamente suas atividades físicas, evitando sobrecarga excessiva enquanto trabalhamos na reabilitação.

Em casos selecionados e individualizados, a infiltração com ácido hialurônico pode ser considerada, que ajuda a melhorar a lubrificação da articulação, alivia a dor e reduz a inflamação. 

Esta opção tem mostrado resultados positivos em muitos dos meus pacientes com condropatia grau 1.

Quando a cirurgia pode ser considerada

Embora rara, a condropatia patelar grau 1 precisa de cirurgia em situações específicas:

  1. Casos refratários onde houve falha do tratamento conservador bem conduzido por pelo menos 6 meses.
  2. Pacientes com lesões associadas que requerem cirurgia, como instabilidade patelar recidivante ou lesões ligamentares.
  3. Situações em que há sintomas mecânicos significativos, como travamento articular frequente.

É importante destacar que, mesmo nos raros casos em que há a indicação de cirurgia, as técnicas atuais são minimamente invasivas, como a artroscopia, que permite visualizar diretamente o interior da articulação do joelho e avaliar a condição da cartilagem com pequenas incisões.

Conclusão

Ao longo dos meus anos de experiência como especialista em joelho, tenho observado que a grande maioria dos pacientes com condropatia patelar grau 1 responde bem ao tratamento conservador.

Sendo assim, com relação a se condropatia patelar grau 1 precisa de cirurgia, a resposta é que raramente há a necessidade de intervenção cirúrgica.

O sucesso do tratamento depende de uma avaliação individualizada, considerando não apenas o grau da lesão cartilaginosa, mas também fatores como alinhamento do joelho, força muscular, padrões de movimento e hábitos diários do paciente.

Se você foi diagnosticado com condropatia patelar grau 1, minha recomendação é buscar um ortopedista especializado em patologias do joelho para uma avaliação detalhada e elaboração de um plano de tratamento personalizado.

Lembre-se que quanto mais precoce for o diagnóstico e o início do tratamento, melhores serão os resultados a longo prazo.

O objetivo principal do tratamento não é apenas aliviar os sintomas atuais, mas também prevenir a progressão da lesão cartilaginosa para graus mais avançados, preservando a funcionalidade do joelho e sua qualidade de vida.

Dr. Ulbiramar Correia

[CRM/GO: 11552 | SBOT: 12166 | RQE: 7240]. Membro titular da SBCJ (sociedade brasileira de cirurgia do joelho), SBRATE (sociedade brasileira de artroscopia e trauma esportivo) e da SBOT(sociedade brasileira de ortopedia e traumatologia).